Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Planilhas ainda sustentam vendas B2B, mas representam risco

Com avanço da gestão por dados, especialistas alertam que controles manuais podem comprometer previsibilidade comercial e qualidade das decisões

22/05/2026 às 14h09
Por: Especial para o Âncora Notícias Fonte: Agência Dino
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Rodrigo Rodrigues | Wolfart | Unsplash
Rodrigo Rodrigues | Wolfart | Unsplash

Mesmo com o avanço de CRMs, automação e inteligência artificial, as planilhas continuam sustentando parte relevante das operações das empresas. Segundo pesquisa da Smartsheet publicada em 2025, 94% dos profissionais ainda usam Excel regularmente e 61% utilizam Google Sheets, inclusive para atividades como relatórios, análise de dados, acompanhamento de tarefas e gestão de processos.

A dependência desse tipo de controle aparece em outras pesquisas sobre processos corporativos críticos. Um levantamento da Forrester Consulting, mostra que 31% dos departamentos de operações, incluindo sales operations e marketing operations, dependem de planilhas. O mesmo estudo aponta que 88% das organizações usam mais de 100 planilhas regularmente para tomar decisões críticas, enquanto 59% usam mais de 1.000 planilhas.

A prática, comum pela familiaridade e flexibilidade da ferramenta, pode funcionar em operações menores ou em análises pontuais. No entanto, à medida que a empresa cresce e a venda se torna mais complexa, o uso da planilha como principal estrutura de gestão passa a representar um risco operacional.

O alerta ganha relevância em um momento em que as empresas aumentam o investimento em inteligência artificial e gestão orientada por dados. Pesquisa do Sebrae/FGV IBRE, com colaboração do Google, mostra que 63% das médias e grandes empresas brasileiras já utilizam IA para apoiar atividades do negócio. Entre elas, a principal finalidade é a análise de dados, citada por 67% das organizações desse porte.

Para Matheus Pagani, CEO da Ploomes, empresa brasileira especializada em tecnologia para gestão comercial B2B, a discussão não está no uso da planilha em si, mas na dependência excessiva de controles manuais para decisões críticas.

"A planilha é útil quando a operação ainda é simples ou quando serve como apoio para análises específicas. O problema começa quando ela vira o principal sistema de gestão de uma área comercial complexa. Nesse estágio, a empresa passa a depender de controles manuais para acompanhar vendas, receita, propostas e relacionamento com clientes", afirma Pagani.

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"Entre os principais riscos estão informações comerciais espalhadas em arquivos diferentes, versões conflitantes, perda de histórico de negociação, falta de padronização nos registros, dificuldade de rastrear alterações e baixa visibilidade sobre o andamento real das oportunidades", completa o CEO.

O problema está diretamente ligado à qualidade dos dados. A IBM aponta que 43% dos chief operations officers identificam problemas de qualidade de dados como sua principal prioridade relacionada a dados. O estudo também indica que mais de um quarto das organizações estimam perdas superiores a US$ 5 milhões por ano devido à má qualidade dos dados.

"Na prática, isso pode comprometer diretamente a previsibilidade da receita. O forecast, por exemplo, pode mudar de acordo com a planilha consultada, o momento da última atualização ou o critério usado por cada vendedor. Já a liderança comercial passa a depender de consolidações manuais para entender o que está acontecendo no funil", explica o CEO da Ploomes.

Com a adoção crescente da inteligência artificial, a qualidade das informações se torna ainda mais crítica.

"Antes de falar em IA para vendas, as empresas precisam olhar para a base: onde estão os dados, quem atualiza essas informações, com que frequência e com qual nível de confiabilidade. A inteligência artificial depende diretamente da qualidade da informação disponível. Se a base está desorganizada, a tecnologia apenas amplifica o problema", destaca Pagani.

Para empresas B2B em crescimento, alguns sinais indicam que a planilha deixou de ser uma ferramenta de apoio e passou a representar um gargalo operacional. Entre eles estão vendedores mantendo controles próprios de carteira, reuniões comerciais dependentes de atualizações manuais, propostas sem histórico centralizado, dificuldade para identificar a etapa real de cada oportunidade e perda de informações quando um profissional deixa a empresa.

De acordo com Pagani, o caminho não é eliminar totalmente as planilhas, mas reposicioná-las dentro da gestão.

"A planilha pode continuar sendo útil em análises pontuais. O risco está em usá-la como estrutura principal de uma operação que já exige governança, histórico, padronização e integração entre áreas. Conforme a empresa cresce, a gestão comercial precisa evoluir junto", conclui.

Sobre a Ploomes

A Ploomes é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em gestão comercial B2B. Sua plataforma apoia empresas na organização de processos comerciais, gestão de relacionamento com clientes, automação de propostas e documentos, análise de dados e integração entre áreas envolvidas na jornada de vendas.

Com foco em operações comerciais complexas, a Ploomes atende empresas que buscam mais produtividade, controle e previsibilidade em seus processos de vendas.

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