Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Apenas 4% dos hospitais usam IA na operação, revela pesquisa

Pesquisa do Cetic.br mostra que 92% dos hospitais já digitalizam prontuários, mas apenas 4% usam inteligência artificial na operação. O Mapa da Tra...

19/05/2026 às 22h55
Por: Especial para o Âncora Notícias Fonte: Agência Dino
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Gerada com ChatGPT
Gerada com ChatGPT

A pesquisa TIC Saúde 2024, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostra que 92% dos estabelecimentos de saúde brasileiros utilizam sistemas eletrônicos para registro de informações dos pacientes. Quando o recorte é a inteligência artificial aplicada à operação, o número cai para 4%. Os dados revelam uma assimetria relevante: hospitais avançaram na digitalização do prontuário, mas o monitoramento da infraestrutura física ainda opera, em grande parte, de forma manual.

O Mapa da Transformação Digital dos Hospitais Brasileiros 2024, elaborado pela Folks com base em 187 instituições, registrou maturidade digital média de 46,19% numa escala de 100. O relatório aponta que menos da metade dos hospitais aloca investimentos específicos para transformação digital e apenas 40% realiza qualquer tipo de monitoramento sobre o tema. No subdomínio de estrutura e governança, somente 14% das instituições têm comitês de saúde digital ativos.

No cenário global, o mercado de IoT em saúde foi avaliado em USD 221 bilhões em 2025 e deve crescer para USD 946 bilhões até 2034, com taxa de crescimento anual composta de 16,5%, segundo levantamento da Fortune Business Insights. No Brasil, o setor de dispositivos médicos atingiu R$ 26,1 bilhões em produção industrial em 2024, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos (ABIMO), com crescimento de 11,5% em relação ao ano anterior.

A ausência de automação traz riscos concretos para a segurança dos insumos e para a conformidade regulatória. Câmaras de hemocomponentes, redes de gases medicinais e equipamentos críticos, como compressores e refrigeradores industriais, operam sem alertas automatizados na maioria dos hospitais brasileiros. Uma excursão de temperatura não detectada pode inutilizar estoques inteiros de medicamentos e vacinas, com perdas que chegam a centenas de milhares de reais por evento em unidades de grande porte. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio de normas como a RDC 430, exige rastreabilidade e documentação contínua desses ambientes, e auditorias com não conformidades podem resultar em interdições e multas administrativas.

"O hospital concentra o maior volume de variáveis críticas por metro quadrado de qualquer ambiente industrial. Temperatura, umidade, pressão de gases, localização de equipamentos: quando qualquer uma dessas variáveis sai de controle sem um sistema de detecção em tempo real, o risco recai sobre o paciente e sobre a conformidade regulatória da instituição", afirma Bruno Rabelo, CEO da DROME, empresa com contratos ativos em unidades da Rede D'Or, DASA e Hemobrás.

A DROME desenvolve uma plataforma de inteligência hospitalar que aplica modelos preditivos sobre dados operacionais de infraestrutura, integrando fontes como sistemas de automação predial, engenharia clínica e facilities. A plataforma processa mais de 102 milhões de leituras por mês a partir de mais de 3 mil pontos ativos em hospitais, indústrias e operações logísticas, e opera tanto sobre hardware IoT proprietário quanto sobre bases de dados existentes via API. A geração automatizada de relatórios para auditoria elimina um processo que antes consumia entre 15 e 20 horas semanais das equipes de qualidade, ao mesmo tempo que antecipa falhas de equipamentos de refrigeração com dias de antecedência.

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Estudos do setor indicam que equipes de enfermagem destinam entre 30 e 60 minutos por turno à localização manual de equipamentos como respiradores e bombas de infusão. Esse dado contextualiza uma das aplicações do segmento de RTLS (Real-Time Location System) dentro de hospitais, que integra rastreamento indoor de ativos, pacientes e equipes via Bluetooth Low Energy ao monitoramento operacional. A DROME cobre essa camada dentro da mesma plataforma que supervisiona redes de gases medicinais, detecta padrões de degradação mecânica em compressores e se conecta a bases de dados existentes via API, sem necessidade de substituição de infraestrutura já instalada.

Segundo Rabelo, o volume de dados rotulados acumulados ao longo da operação é o que diferencia modelos treinados em ambiente hospitalar real de soluções desenvolvidas fora desse contexto. "Temos mais de 122 mil justificativas de alarme escritas por especialistas clínicos, cobrindo 27% dos alertas gerados pela plataforma. Esse conjunto de dados é o que permite ao modelo distinguir uma variação de temperatura esperada de uma excursão real antes que os limites regulatórios sejam ultrapassados", detalha o executivo.

O segmento de inteligência hospitalar e rastreamento em tempo real tem atraído volumes crescentes de investimento no mercado global. Segundo levantamento da Grand View Research, o mercado de RTLS em saúde foi avaliado em USD 2,46 bilhões em 2024 e deve atingir USD 9,94 bilhões até 2033, com taxa de crescimento anual de 16,87%. O crescimento é impulsionado pela demanda por rastreamento de ativos médicos, automação de fluxos clínicos e integração com plataformas de dados hospitalares. No Brasil, o segmento segue em estágio inicial de adoção, com baixa penetração de soluções integradas que operam com aprovação regulatória da Anvisa.

O relatório da Folks de 2024 aponta que mais de 62% das instituições hospitalares brasileiras reconhecem a transformação digital como prioridade estratégica. A automação da infraestrutura física permanece como um dos gargalos mais recorrentes no setor, especialmente em unidades que ainda não destinam orçamento específico para tecnologia operacional. Para gestores de engenharia clínica e facilities, a combinação de monitoramento contínuo com análise preditiva representa uma mudança de modelo: de resposta a incidentes para prevenção estruturada de falhas.

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