

Cuiabá confirmou leishmaniose visceral em 249 cachorros no primeiro semestre de 2026. O número saiu de 782 atendimentos realizados no período e vem acompanhado de um caso humano confirmado na capital.
É um alerta de saúde pública, mas não uma fotografia completa de todos os cães da cidade. Os animais atendidos podem ter sido levados ao serviço porque apresentavam sintomas ou por terem sido encaminhados para investigação. Por isso, não é correto concluir que quase um terço dos cães de Cuiabá está infectado.
A informação decisiva que ainda falta é o recorte por bairro, o motivo dos atendimentos e a quantidade de testes negativos. Esse mapa é o que permite orientar as famílias sem carimbar regiões inteiras como focos da doença.
A leishmaniose visceral é transmitida pela picada do flebotomíneo, conhecido como mosquito-palha. Em áreas urbanas, o cão pode atuar como reservatório do parasita. Isso não quer dizer que uma pessoa pegue a doença diretamente do animal por carinho, saliva ou mordida: a transmissão depende do vetor infectado.
O Ministério da Saúde orienta a reduzir condições favoráveis ao inseto, como matéria orgânica acumulada e quintais sem manejo, além de procurar avaliação veterinária quando houver suspeita. Em humanos, febre prolongada, aumento do abdômen, fraqueza e perda de peso exigem avaliação em unidade de saúde; não são sintomas para diagnosticar pela internet.
Animal com emagrecimento, feridas na pele, queda de pelos, apatia ou crescimento anormal das unhas precisa de atendimento veterinário. Esses sinais não confirmam leishmaniose por conta própria, pois podem ocorrer em outras doenças.
O diagnóstico e a conduta devem seguir avaliação profissional e as normas sanitárias. Antes de compartilhar fotos ou identificar tutores nas redes sociais, vale lembrar que o caso de um animal não autoriza estigma contra uma família nem substitui a vigilância epidemiológica.

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