Segunda, 10 de Agosto de 2026
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Ranúnculo italiano ganha espaço no mercado brasileiro

Com genética importada de Sanremo e cultivo concentrado em altitudes de até 1.600 metros no sul de Minas, variedade italiana amplia sua presença no...

02/06/2026 às 11h00
Por: Especial para o Âncora Notícias Fonte: Agência Dino
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Cooperativa Cooperflora
Cooperativa Cooperflora

Em maio, o mercado brasileiro de flores inicia o abastecimento de uma das espécies mais sazonais do calendário nacional: o ranúnculo. Conhecida pelo volume de pétalas sobrepostas e pela estética singular, a flor retorna ao circuito comercial em uma janela limitada de oferta.

No Brasil, a genética das linhagens pertence à italiana Biancheri Creazioni, considerada a maior breeder de ranúnculos, enquanto a produção é realizada em solo mineiro, sob exclusividade contratual da Cooperflora, cooperativa localizada em Jaguariúna (SP), desde 2018. O cultivo se concentra no sul de Minas Gerais, em regiões de elevada altitude.

Segundo Maurício Torres, representante da Biancheri Creazioni no Brasil, a Lei de Proteção de Cultivares tornou o país mais atrativo para breeders internacionais. “Com a lei, breeders de vários países encontraram a possibilidade de trazer ao Brasil materiais genéticos de alto valor agregado, abrindo espaço para novas espécies e cultivares”, afirma.

A parceria entre breeder e cooperativa foi estruturada para proteger o desenvolvimento comercial do ranúnculo no país. “A estratégia foi inserir a flor na Cooperflora para proteger o mercado e trabalhar um posicionamento de valor que beneficie também o produtor”, acrescenta.

Com ciclo produtivo concentrado entre maio e setembro, o ranúnculo depende da combinação entre biotecnologia europeia e manejo em microclimas de altitude.

A engenharia genética por trás do desenvolvimento dos cormos

A estruturação da cadeia começa anos antes da comercialização. Na Europa, a Biancheri Creazioni desenvolve o melhoramento genético das variedades, buscando flores com maior durabilidade pós-colheita, hastes mais firmes, diâmetros ampliados e uma paleta de cores alinhada às tendências globais.

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Os insumos chegam ao Brasil na forma de cormos, estruturas subterrâneas de reserva responsáveis pela propagação da planta. Por serem materiais biológicos vivos e protegidos por patente internacional, a importação exige controle alfandegário e fitossanitário conforme as normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Segundo Edson Ribeiro, gestor do Núcleo de Produtos da Cooperflora, área que acompanha tecnicamente o portfólio dos cooperados, o processo exige atenção desde a origem do material.

“A importação de cormos de ranúnculo é enquadrada pelo Mapa como material propagativo de Categoria 4, Classe 2, o que representa alto risco fitossanitário. Por isso, é fundamental trabalhar com um fornecedor habilitado e com domínio técnico sobre a cultura. A Biancheri Creazioni reúne essa experiência, garantindo que o material chegue ao Brasil dentro dos protocolos exigidos”, enfatiza.

Após a liberação, os cormos passam por reidratação e quebra de dormência em câmaras frias, com temperatura e umidade controladas. O procedimento simula o inverno europeu e prepara o material para o plantio. A partir daí, os produtores conduzem um ciclo de cerca de 14 semanas até a primeira colheita.

Manejo agrícola e o fator geográfico do sul de Minas Gerais

O desenvolvimento em campo depende diretamente da geografia. As produções estão concentradas em Andradas e Munhoz, no sul de Minas Gerais, em regiões de topografia acidentada e altitudes entre 1.200 e 1.600 metros. A combinação de dias amenos e noites frias gera a amplitude térmica necessária para favorecer pétalas mais densas, cores intensas e maturação equilibrada da haste.

Produtor de ranúnculos, Tomonori Takaha, do Sítio Planalto Flores, explica que a cultura ainda exige dedicação constante. “O ranúnculo ainda é uma cultura de muito aprendizado. Por isso, continuamos adaptando técnicas e estudando a fundo o manejo. Viajamos para a Itália e trouxemos uma bagagem importante, principalmente sobre a parte nutricional, que hoje aplicamos nas estufas durante as madrugadas frias para garantir a evolução correta do botão”, pontua.

No Brasil, a produção é conduzida por sete famílias de agricultores especializados do sul de Minas Gerais, distribuídas entre Sítio Alto da Serra, Sítio Flora-Viva, Sítio Hachiban Flores, Sítio Meraki, Planalto das Flores, Sítio São Benedito e O Vale das Flores, todos cooperados da Cooperflora.

Para Tomonori, a troca entre os produtores foi essencial para consolidar a cultura no país. “Quando abraçamos o projeto, eu e o Silvio [do Sítio Meraki] trocávamos informações quase todos os dias. Hoje somos sete produtores e continuamos a compartilhar experiências do dia a dia no campo”, relembra.

A atuação sob um mesmo protocolo produtivo permite alinhar dados técnicos, padronizar o ponto de colheita e garantir que flores de diferentes propriedades cheguem ao atacado com padrão estético, durabilidade e rastreabilidade de origem.

Segundo o gestor do Núcleo de Produtos da Cooperflora, a padronização é construída de forma contínua, com acompanhamento técnico desde o início do projeto, apoio do representante da breeder e integração de novos produtores.

Já a qualidade é orientada por uma ficha técnica definida pela cooperativa, que estabelece os parâmetros mínimos de comercialização. “Por ser um produto de alta percepção de valor, o mercado espera haste, estrutura floral e apresentação com padrão elevado”, complementa Edson.

Contexto de mercado e posicionamento econômico do produto

Sob a ótica comercial, o ranúnculo integra um segmento de flores de alta percepção de valor. Sua atratividade está ligada à curta janela de disponibilidade e à presença crescente em projetos de decoração, arte floral e ambientações de estética refinada.

A produção brasileira reduz a dependência da importação da flor de corte finalizada, diminui custos logísticos internacionais e entrega ao consumidor um produto com maior frescor e vida útil em vaso.

A exclusividade genética também contribui para proteger o valor da cultura, evitando a saturação do mercado e favorecendo a sustentabilidade dos produtores envolvidos.

Para Maurício Torres, esse movimento abre caminho para uma expansão gradual do ranúnculo no Brasil. “A ideia é que o ranúnculo chegue a todos os cantos do Brasil, mas de forma sustentável, com um negócio lucrativo para produtores, cooperativa e Biancheri”, sustenta.

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