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Exame de toque aos poucos deixa de ser tabu na luta contra o câncer de próstata

É o que constata o médico urologista Marcello Fernando Varella

24/11/2021 11h55
Por: Reportagem Fonte: Da Redação
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Apesar do exame de toque ainda ser um grande tabu entre os homens para realizar o exame preventivo contra o câncer de próstata, as gerações mais jovens já começam a superar esse detalhe como um atentado à sua masculinidade e a entender que o rápido e indolor exame pode significar mais possibilidade de cura em eventual constatação da neoplasia.

É o que constata o médico urologista Marcello Fernando Varella, que atende no Hospital São Mateus, em Cuiabá. Segundo o especialista, o exame de toque ainda é um tabu para os pacientes mais idosos, mas que aos poucos tem deixado de ser um fator para a não realização do exame.

“Existe uma condição social de machismo, de que o exame possa afetar a masculinidade, o que é uma grande bobagem, já que o exame não tem nenhuma conotação sexual. É um exame prático como é o de mama, o médico toca à procura de um nódulo ou alguma situação suspeita”, explica o médico.

Varella explica que o exame existe porque, anatomicamente, é impossível a realização do autoexame na próstata.

Exame preventivo

O câncer de próstata tem como principal fator de risco a genética, e segundo informa Varella, o paciente que tem histórico familiar tem seu risco aumentado em até 17%.

Para esses pacientes, a Sociedade Brasileira de Urologia e Organização Mundial de Saúde recomendam que o exame seja realizado a partir dos 40 anos.

Já quem não tem fator de risco, a recomendação é que o exame seja realizado a partir dos 45 anos.

“Quem faz o exame preventivo, normalmente constata o câncer em estágio inicial, e nessa fase ele é em torno de 90% a 95% curável”, ressalta o médico.

Quando constatado o câncer, dois tratamentos são possíveis: a radioterapia conformacional; e a cirurgia, que pode ser a clássica – por meio de métodos tradicionais para a extração do tumor; por vídeo ou robótica.

Principais dúvidas

Varella cita que entre as dúvidas mais recorrentes estão as possíveis consequências do tratamento, principalmente, a possibilidade de disfunção erétil.

“Há um certo folclore de que toda cirurgia de próstata leva a esse problema, contudo, a disfunção atinge, em variados graus, tão somente entre 10% a 15% dos pacientes que fazem o tratamento”, explica o urologista.

Outro efeito colateral no pós-tratamento é a dificuldade em controlar a urina, que atinge entre 5% e 10% dos pacientes.

Outra questão que deve ser levada em consideração é que os pacientes não devem esperar possuir um sintoma – geralmente, dificuldades para urinar, vontade de ir ao banheiro com mais frequência e até mesmo presença de sangue - para buscar o médico.

“Os sintomas do câncer de próstata são tardios, e quase sempre quando acontecem, o câncer está em fase avançada, e praticamente incurável, por isso é fundamental fazer o exame preventivo”, pontua.

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de próstata é uma das principais causas de morte por neoplasia entre os homens brasileiros. Em 2019, dados mais recentes, 15.983 mil mortes foram causadas pela doença, enquanto que em 2020, 65,8 mil novos casos foram constatados no país.

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