Sábado, 16 de Outubro de 2021 04:39
(66) 98420-9136
Geral ASSISTÊNCIA SOCIAL

Mulheres vítimas de violência são acolhidas pela Justiça Restaurativa em Chapada dos Guimarães

Círculo de Paz trabalha o autoconhecimento e assegura o compartilhamento de experiências de cunho pessoal entre as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar

15/10/2021 13h28
Por: Reportagem Fonte: TJMT
Reprodução
Reprodução

Entusiasmo, satisfação, compromisso e muita esperança. Esses foram os sentimentos expressados pelo juiz-diretor da Comarca de Chapada dos Guimarães, Leonisio Salles de Abreu Júnior, ao falar sobre o Círculo de Construção da Paz para um grupo de 12 mulheres vítimas de violência doméstica.

O magistrado, que coordena o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania dos Juizados Especiais Cíveis, está apostando nessa metodologia da Justiça Restaurativa como forma de possibilitar um espaço seguro para o diálogo entre vítimas atingidas por ato ilícito e doloroso no seio familiar. “Ao contrário do caráter retributivo, de punição e culpa, como a aplicação de medidas protetivas, a Justiça Restaurativa se abre para essas vítimas com um olhar pontual, com outra visão”, acentuou doutor Leonisio.

O Círculo de Paz trabalha o autoconhecimento e assegura o compartilhamento de experiências de cunho pessoal entre as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. “Nossa intenção, diz o juiz, é a de que essas mulheres passem a resgatar os valores essenciais do ser humano e, com equilíbrio emocional, reconquistem a autoestima para que possam romper, se libertar do ciclo de violência, e tenham relações saudáveis e produtivas”.

Na visão da gestora do Cejusc de Chapada dos Guimarães, Ildenês Rocio Ribas Reis, que também atua como facilitadora do Círculo de Paz, a missão da Justiça Restaurativa é sensibilizar e conscientizar as mulheres vítimas de violência doméstica sobre a importância do fortalecimento pessoal. “Muitas delas, mesmo marcadas pelo cenário de agressão, acabam se penalizando pelas hostilidades sofridas”, frisou Ildenês Rocio.

A gestora do Cejusc destacou ainda que o círculo revela para cada vítima que o problema da violência não é isolado e acontece com outras mulheres. “Dentro de um ambiente de sigilo e confiabilidade, elas falam de si próprias e aprendem a escutar”, assegurou, lembrando que, por meio do Círculo de Paz, é possível o reconhecimento da situação de violência doméstica como também encontrar formas de superá-la, de curar, ou minimizar, os traumas provocados pela violência familiar.

Leonisio Salles pontou que as práticas da Justiça Restaurativa para atender mulher vítimas de agressão vêm ao encontro da realidade na comarca, onde 40% dos processos criminais envolvem violência doméstica e familiar. “Estamos confiantes nos resultados positivos”, assinalou o juiz, acrescentando que esse primeiro círculo para mulheres contou com a parceria efetiva da Justiça Comunitária, que conseguiu e dou para as 12 mulheres cestas básicas de alimentos não perecíveis.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.