Segunda, 10 de Agosto de 2026
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Mulheres indígenas de MT são diretoras de filme sobre técnicas ancestrais de cultivo e preparo de alimentos

Em julho de 2023, na aldeia Japuíra, do povo Myky, os moradores se reuniram para assistir à estreia de um filme especial que celebra os saberes e a cultura das mulheres da comunidade.

06/06/2024 às 15h09
Por: Redação Fonte: Redação Âncora Notícias
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Anciãs Paatau e Kamunu emocionadas durante a estreia do curta-metragem "Mopái Pjuta Ãkakeje´u: A roça e os alimentos Myky", que celebra a cultura e os saberes das mulheres Myky
Anciãs Paatau e Kamunu emocionadas durante a estreia do curta-metragem "Mopái Pjuta Ãkakeje´u: A roça e os alimentos Myky", que celebra a cultura e os saberes das mulheres Myky

Em julho de 2023, a aldeia Japuíra, do povo Myky, vivenciou um momento inesquecível. As anciãs Paatau e Kamunu se emocionaram ao assistir ao filme "Mopái Pjuta Ãkakeje´u: A roça e os alimentos Myky", o primeiro curta-metragem Myky realizado exclusivamente por mulheres. Este filme destaca os saberes ancestrais de cultivo e preparo de alimentos do povo Myky, habitantes do território Menkü em Brasnorte (MT), uma área rodeada por grandes lavouras do agronegócio.

Papel das Mulheres na Cultura Myky

As cineastas do filme enfatizaram o papel crucial das mulheres na preservação dos conhecimentos tradicionais e na liderança das roças comunitárias e hortas familiares. As mulheres são as principais responsáveis pela subsistência e segurança alimentar da comunidade, cultivando alimentos e ingredientes do Cerrado e da Amazônia.

O povo Myky é conhecido por suas técnicas únicas de cultivo de sementes crioulas e por sua alimentação saudável e abundante. Nas roças do território, são produzidos alimentos como milho, mandioca, batata, cará branco e roxo, amendoim e diversas espécies de feijão. Além disso, os Myky praticam o extrativismo de castanha, caju do mato, tucum, pequi, buriti e bacaba.

Formação e Realização do Filme

O filme, pronto para participar de festivais, é fruto de um projeto de formação em cinema e audiovisual para mulheres indígenas, liderado pela cineasta Jade Rainho e a cine-educadora Amanda Palma. Elas ensinaram às alunas todas as etapas da produção de um documentário, desde o desenvolvimento do argumento até a montagem final.

Kamtinuwy Myky, uma das realizadoras do filme, expressou sua empolgação com o processo de filmagem e edição. Ela e outras cineastas Myky, como Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky, desenvolveram a pesquisa e o roteiro, escolhendo as mulheres da comunidade que seriam retratadas.

Apoio e Distribuição

A pós-produção e distribuição ficaram a cargo da Cadju Filmes e parceiros, com a ilustração do cartaz feita pela artista visual Raiz Rozados. O projeto foi financiado pelo edital Viver Cultura, do Governo de Mato Grosso, e pelo programa de aceleração Move-MT, além de contar com apoio cultural da Assembleia Social, Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Labora e MT Criativo.

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Importância do Protagonismo Feminino

Jade Rainho destaca a importância de projetos que promovem o protagonismo feminino e a formação de cineastas indígenas. Ela acredita que a formação em documentário pode ser adaptada para outras populações sub-representadas, mas atualmente o foco está em continuar com grupos de indígenas.

Jade enfatiza que as jovens cineastas Myky agora têm a capacidade de multiplicar o conhecimento adquirido e continuar contando suas histórias, ensinando sobre a vida em harmonia com a Terra. O projeto visa honrar e valorizar a herança ancestral e os talentos presentes, priorizando a autonomia criativa e identitária das jovens protagonistas.

Sobre Jade Rainho

Jade Rainho é ativista pelos direitos humanos e da natureza, além de diretora e roteirista de diversos filmes, como "Flor Brilhante e as Cicatrizes da Pedra" e "O Jardim de Maria". O projeto realizado na aldeia Myky é mais uma demonstração de seu compromisso com a valorização das culturas indígenas e a formação de novos narradores.

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