A vida do jornalista cuiabano Jorge Bastos Moreno é mostrada em detalhes na série documental "O Repórter do Poder", disponível no Globoplay. Com direção de Patrícia Guimarães e Letícia Muhana e produção de Flora Gil, a série conta a trajetória de um dos maiores profissionais do jornalismo que o Brasil já teve, passando por questões pessoais e profissionais que se entrelaçam com a história do país.
O jornalista cuiabano deixou a sua marca no jornalismo político, colecionando importantes furos de reportagem que mudaram a história do Brasil. Ele era conhecido por ter um olhar apurado para os bastidores, um faro para notícias, além de uma capacidade de conquistar fontes. E sua fama ultrapassava o cenário político. Os eventos que organizava em casa reuniam personalidades de grande influência nas artes, música, televisão e gastronomia.
A obra disponível desde a última sexta-feira (10/03) no Globo Play costura momentos da vida pessoal de Moreno com a política brasileira, desde os tempos da Ditadura Militar até o governo Michel Temer, intercalados com mais de 30 depoimentos de grandes nomes dos cenários político e jornalístico, passando também por personalidades da TV, música, além de familiares e amigos. Entre os entrevistados estão Andréa Sadi, Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes, Heraldo Pereira, Mariana Ximenes, Renata Lo Prete, Fafá de Belém e Ali Kamel, entre outros.
A série destaca a participação decisiva de Moreno no afastamento do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992. Foi dele a manchete, publicada no jornal O Globo do dia 23 de julho, que ligava definitivamente o presidente ao esquema de corrupção de Paulo César Farias: "Fantasma de PC pagou carro de Collor".
Quem foi o jornalista cuiabano
Filho do taxista Juca com a dona de casa Alzira, Moreno nasceu em Cuiabá, em Mato Grosso, e se mudou para Brasília no final do ensino médio para se preparar para o vestibular. Entrou para o curso de Comunicação na UnB e, recém-formado, em 1978, deu seu primeiro furo. Publicou no Jornal de Brasília uma entrevista na qual o então general e chefe do SNI João Batista Figueiredo confirmava que seria o próximo presidente. Detalhes dessa cobertura aparecem logo no primeiro episódio da produção, e é o próprio Moreno quem conta como foi. A série usa depoimentos do jornalista dados ao Memória Globo no início dos anos 2000.
Firmou-se no jornalismo político, tinha acesso a Ulysses Guimarães e Tancredo Neves — chegou a coordenar a campanha de Ulysses à presidência em 1989.
Já no GLOBO, teve participação decisiva no processo de impeachment de Fernando Collor de Mello, em 1992. Com a manchete “Fantasma de PC pagou carro de Collor”, Moreno entregou a prova que a CPI de PC Farias ainda procurava para ligar o então presidente aos cheques “fantasmas”: um Fiat Elba.
No jornal, Moreno ficou por 35 anos e foi titular de colunas em que revelava bastidores da política com texto saboroso. O jornalista morreu em 2017, aos 63 anos, em decorrência de uma edema agudo de pulmão.
Nota do editor: Não perca a oportunidade de conhecer a história de um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro!



