

Falar e não ser ouvido é como um pesadelo no qual tentamos nos mover, acordar, e não conseguimos. Essa é a dor que milhares de mulheres sentiram ao longo da história. Ser cruelmente ignorada, enquanto, na contramão, vinha uma série de obrigações: educar os filhos, cuidar do marido, arrumar a casa, servir as refeições no horário, e garantir que toda a engrenagem familiar e social funcionasse perfeitamente. E essa análise está muito longe de ser de cunho feminista. É apenas uma reflexão do quanto o mundo poderia ter evoluído mais se tivesse sido dado mais chances para as mulheres e quantas lágrimas e sofrimento poderiam ter sido poupados. Uma evolução social como um todo.
Neste ano – 2022 – completa 90 anos desde a primeira vez que as mulheres puderam votar e participar diretamente da escolha dos governantes deste país, que, graças a Deus, segue um regime democrático, e a liberação do voto feminino colocou a democracia em prática.
É assustador quando pensamos que faz tão pouco que isso aconteceu. Quando a minha avó nasceu, por exemplo, esse direito era negado às mulheres. Só os maridos poderiam votar.
Acredito que essa foi uma das maiores conquistas das mulheres, que ainda enfrentam grandes problemas, como a falta de equiparação salarial. Dados oficiais recentes apontam que nós ganhamos 20% a menos que os homens, em Mato Grosso, pela mesma jornada de trabalho e mesmas funções exercidas.
Como já afirmei, não se trata de um texto feminista, mas de uma reflexão positiva visando o futuro, já que o passado não podemos mudar. A partir de análises, podemos entender onde estamos e onde precisamos melhorar. O avanço precisa ser constante.
Em outubro teremos uma nova eleição. O povo é quem decide quem vai ocupar os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e estadual. Nos últimos quatro anos, menos de 15% dos eleitos eram mulheres, mas ironicamente, metade dos votos são nossos.
Eu acho que vale uma reflexão: o que leva mulheres a não confiarem umas nas outras? Seria o regime de patriarcado impregnado? A falta de estímulo para entender e encarar a política? A falta de espaço? São muitas variáveis que precisam ser consideradas.
Nos últimos anos, durante a pandemia, os países que melhor enfrentaram a pandemia, eram liderados por mulheres. Estamos lutando por mudanças e fazer essa reflexão faz todo sentido agora. Não podemos esperar outra pandemia ou mesmo outro ano. A mudança precisa acontecer agora. Esse é o momento.
Está mais do que provado que as mulheres que eram encarregadas de toda a educação dos filhos, historicamente, também podem ajudar a organizar e melhorar o país como um todo. O Brasil é a nossa casa. O legislativo pode e precisa ter a nossa cara também.
Não deve existir disputa de poderes entre homens e mulheres, mas confiança e respeito, para que cada um tenha o direito de lutar, de tentar, em todas as esferas, inclusive na política.
Onde a democracia e a justiça reinam, o povo é feliz. E esse é o que todos nós desejamos, sem distinção.
Luciana Santos é coaching, formada em gestão de Recursos Humanos, ex-secretária de Desenvolvimento Social de Jaciara (MT), e pré-candidata a deputada federal pelo PSDB





