Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Manejo preventivo e consciente é o ideal para controlar manchas foliares no sistema de produção

Mancha alvo e Crestamento de cercospora estão entre as doenças mais importantes dos cultivos; especialista da Fundação MT fala sobre as estratégias de controle

18/04/2022 às 13h48
Por: Reportagem Fonte: Assessoria de Comunicação
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Divulgação
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A produção brasileira de grãos enfrenta grandes desafios em função das condições climáticas que são favoráveis aos cultivos, mas que também possibilitam o bom estabelecimento e desenvolvimento de pragas e doenças. Nos estados onde é realizado ao menos o cultivo de primeira e segunda safra, como em Mato Grosso, considerar o sistema de produção como um todo quando se trata de manejo é ainda mais relevante. Isso porque patógenos, como o fungo causador da Mancha alvo (Corynespora cassiicola), tem como hospedeiro as culturas da soja e do algodão, por exemplo. E nas últimas safras, além dessa mancha foliar, outro patógeno tem crescido em importância nas lavouras de soja safra: o Crestamento foliar de cercospora (Cercospora spp.).

Discussões sobre essas duas doenças na cultura da soja serão um dos temas do Encontro Técnico Soja, realizado pela Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), de 26 a 29 de abril, em Cuiabá-MT. Os pesquisadores da área de Fitopatologia da instituição, Karla Kudlawiec e João Paulo Ascari, vão trazer dados de pesquisa da safra 2021/22; o tema terá ainda a contribuição dos especialistas, Sergio Brommonschenkel, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Maurício Meyer, da Embrapa Soja, e Lucas Fantin, da Fundação Chapadão.

Mancha alvo

Os primeiros relatos da Mancha alvo em Mato Grosso datam da década de 80. Hoje, C. cassiicola está disseminado em todo o Estado. O fungo causador da doença pode sobreviver em restos culturais, em sementes de soja infectadas, e ainda permanecer viável no solo por anos. No sistema de produção soja/algodão ou no cultivo de espécies de crotalária há a multiplicação de inóculo do patógeno, que pode incidir de uma safra para outra, pois são duas culturas hospedeiras do fungo.

Na primeira safra 21-22 foi observado maior volume de precipitação e melhor distribuição das chuvas ao longo do período. As condições favoráveis para o desenvolvimento da Mancha alvo ocorrem durante a fase reprodutiva da cultura, quando há o fechamento do dossel. E entre os fatores que aumentam a severidade da doença no campo estão as condições prolongadas de alta umidade (> 85%), com períodos de molhamento foliar de 48 horas e as temperaturas elevadas. “Com a presença de inóculo na área, multiplicado pela cultura antecessora, e características ambientais favoráveis, tivemos a incidência do patógeno e a evolução da severidade da doença”, destaca Karla.

A especialista explica que, além do acompanhamento das previsões climáticas para a safra, o produtor deve considerar no planejamento fatores relacionados à escolha do material genético, levando em conta os diferentes níveis de sensibilidade à ocorrência de Mancha alvo. Também, deve lançar mão das estratégias de controle químico e biológico na definição do manejo de condução da lavoura de soja.

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“O inóculo do fungo Corynespora cassicola, presente nos restos culturais, atinge as primeiras folhas do terço inferior da planta através dos respingos de chuva. A partir da infecção inicial, novos esporos são conduzidos nos extratos da planta, alcançando o terço médio e até o terço superior. Sendo assim, é importante proteger todo o dossel, principalmente as folhas mais próximas ao solo. Para isso, recomendamos que a aplicação seja realizada em pré-fechamento de entrelinha.” explica a pesquisadora.

Os danos ocasionados por essa doença têm impacto na produtividade final e no peso das sementes. Esses efeitos são resultantes da desfolha precoce das plantas no campo, o que afeta a translocação de fotoassimilados para os grãos. Em especial, no caso do sistema soja/algodão ou soja/crotalária, o produtor precisa fazer o controle da Mancha alvo nas duas culturas. “O inóculo multiplicado em uma cultura poderá causar doença na próxima, portanto, é preciso manejar bem e com consciência, tanto no algodão, quanto na soja. A Mancha alvo já foi uma doença que não tinha grande importância, mas vem evoluindo ano após ano”, reforça a especialista.

Crestamento de cercospora

A ocorrência de Crestamento de cercospora, causada pelo fungo Cercospora spp., tem despertado atenção de produtores e especialistas. Nas últimas safras, houve aumento da incidência e na severidade da doença nas áreas de soja de Mato Grosso. De modo geral, em condições de campo, a maioria dos materiais apresentam sensibilidade à ocorrência e, dentre as espécies, podem ser listadas a Cercospora kikuchii, C. sigesbeckiae e C. flagellaris.

Para os pesquisadores, o desafio é compreender como cada espécie se comporta e a predominância em cada região do Estado e do Brasil. “Acreditamos que existem diferenças entre as espécies, que podem ocorrer simultaneamente em condições de campo. Instituições de pesquisa e universidades têm trabalhado para entender as diferenças de patogenicidade de cada uma, detalha a pesquisadora da Fundação MT.

A infecção de Cercospora também pode ocorrer quando há uma fitotoxidez da folha, desencadeada pela aplicação de alguma molécula química. O fungo é oportunista e aproveita a fragilidade do tecido para colonizar. “A identificação visual das lesões nas plantas de soja está relacionada ao efeito da cercosporina, uma exotoxina produzida pelo fungo e responsável pela coloração avermelhada das lesões”, coloca Karla.

Além disso, esse fungo pode atacar todas as partes da planta e ser responsável por grandes perdas no rendimento e na qualidade da semente, principalmente por causar a chamada mancha púrpura em sementes de soja.

Conclusões

O complexo de manchas foliares incidente nas lavouras de soja pode reduzir a produtividade e a qualidade dos grãos. Dentre as estratégias de controle para Mancha alvo são preponderantes o plantio de cultivares menos sensíveis ao ataque do patógeno, o uso de sementes sadias, a rotação e sucessão de culturas com gramíneas, o tratamento de sementes e o controle químico. Já para Crestamento de cercospora, o uso de fungicidas é uma importante ferramenta no manejo.

“É preciso considerar todas as variáveis dentro do sistema de produção. A chance de sucesso no controle das doenças da lavoura é muito maior quando o produtor considera as estratégias disponíveis no seu planejamento. Isoladamente, as medidas de controle podem não surtir o efeito desejado. No campo, podemos ter a ocorrência das duas doenças juntas e, ainda, de outros patógenos, que somados podem reduzir a produtividade e consequentemente a lucratividade das lavouras”, conclui a especialista.

Fundação MT: Criada em 1993, a instituição tem um importante papel no desenvolvimento da agricultura, servindo de suporte ao meio agrícola na missão de dar vida aos resultados através do desenvolvimento de tecnologias aplicadas à agricultura. A sede está situada em Rondonópolis-MT, contando com três laboratórios e casas de vegetação, um centro de pesquisa local e outros seis Centros de Pesquisa Avançada (CAD) distribuídos pelo Estado, nos municípios de Sapezal, Sorriso, Nova Mutum, Itiquira, Primavera do Leste e Serra da Petrovina. Para mais informações acesse www.fundacaomt.com.br e baixe o aplicativo da instituição.

 

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