Internacional CONFLITO
Após ataque da Rússia à Ucrânia, governo brasileiro pede 'suspensão imediata de hostilidades'
Nota do Ministério das Relações Exteriores foi primeira manifestação oficial do governo Brasileiro após ação militar russa. Presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou.
24/02/2022 15h27
Por: Reportagem Fonte: G1 MT
Militares ucranianos se preparam para repelir um ataque na região de Lugansk, na Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022 — Foto: Anatolii Stepanov/AFP

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou nota nesta quinta-feira (24) em que pede a suspensão imediata das "hostilidades" da Rússia à Ucrânia.

A nota, divulgada no fim da manhã desta quarta, é a primeira manifestação oficial do governo brasileiro após a invasão da Ucrânia pela Rússia. O presidente Jair Bolsonaro ainda não se pronunciou.

"O Governo brasileiro acompanha com grave preocupação a deflagração de operações militares pela Federação da Rússia contra alvos no território da Ucrânia. O Brasil apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações conducentes a uma solução diplomática para a questão, com base nos Acordos de Minsk e que leve em conta os legítimos interesses de segurança de todas as partes envolvidas e a proteção da população civil", diz a nota do Itamaraty.

A invasão começou na madrugada desta quinta-feira (24), no horário de Brasília, por ordem do presidente russo Vladimir Putin. Os russos invadiram a partir de vários pontos da fronteira.

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A ação gera uma crise militar e diplomática na Europa sem precedentes neste século.

Há imagens de explosões e movimentações de tanques em diferentes cidades ucranianas. Putin disse às forças ucranianas que deponham as armas e voltem para casa.

Milhares de moradores de Kiev começaram a deixar a capital da Ucrânia nas primeiras horas desta quinta, após a Rússia iniciar a invasão. A cidade começa a viver um caos.

Os Estados Unidos reagiram imediatamente afirmando que o ataque da Rússia é injustificável e que pagará pelo que está causando ao mundo.

Viagem à Rússia

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro visitou a Rússia e se encontrou com o presidente Vladimir Putin.

Ao lado de Putin, Bolsonaro disse que é solidário à Rússia, sem especificar sobre o que se referia essa solidariedade. A declaração do presidente criou um desgaste para a diplomacia brasileira, em especial com os Estados Unidos.

Mourão

Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que o Brasil não concorda com a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que ele respeita a soberania da Ucrânia. Então, o Brasil não concorda com uma invasão do território ucraniano. Isso é uma realidade”, afirmou Mourão na chegada ao Palácio do Planalto.

Leia a íntegra da nota do Ministério das Relações Exteriores:

"O Governo brasileiro acompanha com grave preocupação a deflagração de operações militares pela Federação da Rússia contra alvos no território da Ucrânia.

O Brasil apela à suspensão imediata das hostilidades e ao início de negociações conducentes a uma solução diplomática para a questão, com base nos Acordos de Minsk e que leve em conta os legítimos interesses de segurança de todas as partes envolvidas e a proteção da população civil.

Como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil permanece engajado nas discussões multilaterais com vistas a uma solução pacífica, em linha com a tradição diplomática brasileira e na defesa de soluções orientadas pela Carta das Nações Unidas e pelo direito internacional, sobretudo os princípios da não intervenção, da soberania e integridade territorial dos Estados e da solução pacífica das controvérsias."