O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de Mato Grosso (SINDSPPEN-MT) cobrou do governo estadual a suspensão imediata dos descontos referentes a contratos de crédito consignado ligados a empresas sob investigação. Segundo a entidade, a manutenção das cobranças continua comprometendo a renda dos servidores, mesmo quando os valores não são repassados diretamente às operadoras.
A manifestação ocorre após a Polícia Federal deflagrar, na quarta-feira (15), a Operação Fugazi. A investigação apura a atuação de um grupo econômico suspeito de usar operações de crédito consignado e cartão de crédito consignado para cometer fraudes contra servidores públicos, aposentados e pensionistas.
Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul, por determinação da Justiça Federal em Mato Grosso. Também houve bloqueio de valores e sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados.
De acordo com a PF, há indícios de que operações apresentadas aos consumidores como cartões de crédito consignado funcionariam, na prática, como empréstimos com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação. Os fatos ainda estão sob investigação e não há condenação dos envolvidos.
O SINDSPPEN-MT afirma que, após a retomada das cobranças, valores descontados dos servidores passaram a ser mantidos sob controle judicial ou estatal enquanto os contratos são analisados. Para o sindicato, a medida reduz o risco de repasse às empresas questionadas, mas não devolve aos trabalhadores o dinheiro retirado mensalmente dos salários.
Em junho, o Governo de Mato Grosso informou que recorreu de uma decisão da Vara de Ações Coletivas que havia determinado o retorno dos pagamentos de contratos de cartão de crédito e cartão de benefício às instituições financeiras. No recurso, a Procuradoria-Geral do Estado pediu a suspensão das consignações e destacou que parte dos valores estava depositada judicialmente.
O governo argumentou que a manutenção do dinheiro em juízo facilitaria eventual ressarcimento aos servidores, caso as irregularidades fossem confirmadas. A administração estadual também atribuiu atrasos nas análises à falta de documentos que deveriam ter sido apresentados pelas empresas.
Para o presidente do SINDSPPEN-MT, Lucivaldo Vieira de Sousa, os trabalhadores não podem aguardar indefinidamente a conclusão das apurações.
“Apoiamos as investigações e a instalação da CPI na Assembleia, mas precisamos ser realistas. Uma comissão parlamentar leva meses para apresentar resultados, e as parcelas são cobradas todo mês. O policial penal e todos os demais servidores precisam de uma solução agora. A geladeira não espera a conclusão de um relatório político”, afirmou.
Lucivaldo foi eleito presidente do sindicato para a gestão iniciada em 2026.
A entidade defende que o Estado suspenda integralmente as cobranças relacionadas às operadoras investigadas até que seja concluída a análise da regularidade dos contratos.
O sindicato também pede garantias para impedir a inclusão dos servidores em cadastros de inadimplentes, a incidência de juros adicionais e a cobrança acumulada das parcelas durante o impasse.
“Estamos lidando com a subsistência de pais e mães de família de todas as áreas do serviço público de Mato Grosso. O salário do servidor não pode continuar retido para alimentar uma disputa jurídica sem prazo para acabar. Queremos uma resposta rápida do Estado”, declarou Lucivaldo.
O SINDSPPEN-MT sustenta que a demora para uma solução definitiva tem ampliado o risco de superendividamento entre servidores de diferentes áreas do funcionalismo estadual.