Saúde Saúde Mental
Mulheres são 63% dos afastados do trabalho por transtornos mentais no Brasil
Mais de 346 mil benefícios por incapacidade temporária foram concedidos a mulheres em 2025; em Cuiabá, encontros buscam criar momentos de cuidado e reflexão
13/07/2026 13h18
Por: Redação Fonte: Redação Âncora

As mulheres representaram 63% dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais registrados no Brasil em 2025. Dos 546.254 benefícios por incapacidade temporária concedidos pela Previdência Social, 346.613 foram destinados ao público feminino.

O número ajuda a mostrar o peso que problemas como ansiedade e depressão têm na rotina das brasileiras. Além das cobranças profissionais, muitas mulheres acumulam tarefas domésticas, cuidados com filhos ou familiares e outras responsabilidades.

Uma pesquisa realizada pela organização Think Olga com 1.078 mulheres mostrou que 45% das entrevistadas já haviam recebido diagnóstico de ansiedade, depressão ou outro transtorno mental. Seis em cada dez afirmaram conviver com a ansiedade no dia a dia. O levantamento foi divulgado em 2023.

Entre os fatores apontados pelas participantes estavam dificuldades financeiras, baixa remuneração, dívidas e excesso de trabalho. A situação também preocupa entre mulheres com mais de 40 anos. Um estudo publicado em 2025 na revista científica Psico analisou respostas de 545 brasileiras nessa faixa etária. Nervosismo, perda de interesse, sintomas de ansiedade, tristeza e cansaço apareceram entre os principais sinais identificados.

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Espaço para desacelerar em Cuiabá

Em meio à rotina de trabalho e às obrigações familiares, mulheres de Cuiabá têm procurado atividades voltadas ao autocuidado e ao reconhecimento das próprias emoções.

A consultora de vendas Flávia Simone participa de encontros semanais de arteterapia no Espaço 8. Ela conta que uma das atividades propôs que as participantes se olhassem no espelho e tentassem identificar um sentimento.

“Para minha surpresa, eu não consegui. Me senti constrangida, envergonhada de olhar nos meus próprios olhos. Mas, na semana seguinte, percebi mudanças. Já consegui olhar para dentro de mim e chegar ao meu sentimento raiz”, relatou.

A cerimonialista e produtora de eventos Zilda Castanho também participa das atividades. Segundo ela, os encontros ajudaram a diminuir o ritmo acelerado da rotina. “Essa jornada do reencontro me trouxe uma leveza em um momento da minha vida em que eu estava muito acelerada. Senti que fui desacelerando aos poucos e criando uma conexão maior comigo mesma”, afirmou.

A idealizadora do espaço, Isolda Risso, avalia que a cobrança para que a mulher dê conta de todas as áreas da vida pode provocar culpa, ansiedade e esgotamento. “Ao tentar corresponder a essa expectativa, muitas acabam se afastando de si mesmas e enfrentando ansiedade, culpa, exaustão e a constante sensação de não serem suficientes”, disse.

Atividade não substitui tratamento

A arteterapia utiliza recursos como pintura, desenho, modelagem, dança e teatro para estimular a expressão de pensamentos e sentimentos. A prática faz parte das Práticas Integrativas e Complementares oferecidas no Sistema Único de Saúde.

A atividade pode funcionar como apoio ao cuidado e ao autoconhecimento, mas não substitui avaliação ou tratamento com psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de saúde quando houver sofrimento emocional persistente.

Mudanças intensas de comportamento, tristeza prolongada, crises de ansiedade, perda de interesse nas atividades, alterações no sono e dificuldades para trabalhar ou manter a rotina devem ser observadas.

A rede pública de saúde oferece atendimento por meio das unidades básicas, dos Centros de Atenção Psicossocial, os Caps, e de outros serviços do SUS.

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