Em Cuiabá, o avanço do sedentarismo entre os jovens já preocupa especialistas e começa a aparecer com força nos consultórios. Segundo a Unimed Cuiabá, adolescentes e adultos mais novos estão chegando com dores crônicas, perda de mobilidade, alterações posturais e outros problemas que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas, num cenário em que a inatividade física segue crescendo no Brasil.
O alerta ganha peso porque os números são altos. De acordo com dados citados no release, o sedentarismo está ligado a cerca de 5 milhões de mortes por ano no mundo, enquanto o Brasil aparece entre os países mais sedentários da América Latina. Entre os jovens, o quadro é ainda mais crítico: 84% dos brasileiros nessa faixa etária são sedentários, o que ajuda a explicar o avanço de doenças crônicas e queixas físicas cada vez mais cedo.
Na prática, o problema vai muito além da estética ou da falta de disposição. A avaliação do especialista em medicina do exercício e do esporte George Salvador, da Unimed Cuiabá, é que o corpo começa a dar sinais rápidos quando passa tempo demais parado. A falta de atividade física pode favorecer diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas articulares, além de impactos emocionais e cognitivos que pesam diretamente na qualidade de vida.
Outro ponto que agrava esse quadro é o uso excessivo de telas. Horas seguidas em celulares e computadores, somadas a posturas inadequadas, têm provocado dores na coluna, principalmente nas regiões cervical e lombar, além de sobrecarga em braços, punhos e mãos. O resultado é uma geração mais conectada, mas também mais cansada, dolorida e vulnerável a quadros de estresse e ansiedade.
Enquanto isso, o movimento entre os idosos segue na direção oposta. O envelhecimento da população tem levado mais pessoas com 60 anos ou mais a buscar atividade física como forma de preservar autonomia, equilíbrio, força e convivência social. Em vez de correr atrás de padrão estético, esse público quer continuar independente por mais tempo, reduzir dores e evitar quedas, o que ajuda a explicar por que muitos idosos hoje parecem mais comprometidos com a saúde do que boa parte dos mais jovens.
A preocupação dos especialistas é que, sem mudança de hábito, o país forme uma geração que envelhece antes do tempo, com mais limitações físicas e maior carga de doenças crônicas. Para enfrentar esse cenário em Cuiabá, a Unimed mantém o programa Movimente-se, com atividades gratuitas ao ar livre para beneficiários, realizadas no Parque Mãe Bonifácia e no Parque das Águas, com acompanhamento profissional. A aposta é simples, mas urgente: colocar o corpo em movimento antes que o sedentarismo cobre uma conta ainda mais alta.
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