Domingo, 09 de Agosto de 2026
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Escolha do curso superior é desafio para jovens; mais de 7,3 mil opções ofertadas

Especialista explica como o aumento de carreiras e ocupações tornou a escolha profissional mais complexa e por que decidir sem reflexão gera frustração futura

30/01/2026 às 09h37
Por: Redação Fonte: Culture Comunicação
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Escolha do curso superior é desafio para jovens; mais de 7,3 mil opções ofertadas

Na última semana, estudantes inscritos nas três últimas edições do Enem escolheram quais serão as suas profissões. Nunca houve tantas opções de cursos, carreiras e caminhos profissionais disponíveis. Conforme dados do Governo Federal, são 7,3 mil cursos ofertados em 587 municípios do país. Para a consultora de orientação profissional e CEO da Vesi Consulting, Edilene Bocchi, esse excesso de possibilidades torna a escolha profissional mais complexa.

Segundo a especialista, a indecisão não está ligada à falta de talento, mas à dificuldade de compreender, na prática, o que cada profissão exige. “Uma mesma graduação permite dezenas de atuações diferentes. Isso amplia oportunidades, mas também aumenta a dúvida”, afirma.

A falta de experiência de vida também pesa. Muitos jovens passam direto da escola para a faculdade, sem contato prévio com o mercado de trabalho, o que dificulta escolhas mais conscientes. Ela aponta que deixar a decisão para a última hora é um dos erros mais comuns. A ausência de reflexão faz com que o estudante seja facilmente influenciado por expectativas familiares, status social ou promessas de altos salários. “Quando não se pensa sobre isso, alguém acaba decidindo por ele. Os pais, os amigos ou a profissão da moda”, destaca.

Esse cenário se reflete nos números das universidades públicas. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) iniciou, em 2025, um diagnóstico para entender a evasão acadêmica. Dados da Coordenação de Administração Escolar mostram que, desde 2015, cerca de 32 mil estudantes abandonaram os cursos.

A consultora de carreira também chama atenção para as consequências quando um jovem inicia uma faculdade e percebe, no meio do caminho, que aquela não era a escolha certa. “Além do investimento financeiro, há desgaste emocional, frustração, impacto na autoestima e, muitas vezes, conflitos familiares. São anos de vida, energia e expectativas que não voltam”, alerta.

Segundo Edilene, um processo de orientação feito antes do ingresso no ensino superior é um investimento que pode evitar abandono de curso, trocas sucessivas de graduação e danos que vão muito além do bolso. Um acompanhamento estruturado de orientação profissional, com duração média de seis meses, pode reduzir significativamente esse problema.

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“É um tempo necessário para ampliar opções, descartar caminhos com consciência e amadurecer a decisão”, afirma. Segundo ela, investir nesse processo evita o desperdício de tempo, de dinheiro e custos emocionais, que afetam não apenas o estudante, mas toda a família.

Em Mato Grosso, o poder público enxergou a problemática entre os jovens. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) começou a usar, em novembro de 2025, a plataforma FutureMe para ajudar estudantes do 9º ano e da 3ª série do Ensino Médio a pensar sobre o futuro profissional. A ferramenta funciona de forma interativa e ajuda os alunos a se conhecerem melhor, entenderem seus interesses e descobrirem como é o dia a dia de diferentes profissões.

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