Artigo Gestão de Pessoas
Riscos psicossociais não esperam 2026: por que o RH precisa agir agora
03/12/2025 17h07
Por: Redação Fonte: Por Maria Alaíde Bruno Teixeira*

Quando se fala em segurança no trabalho, ainda se pensa primeiro em equipamentos de proteção e acidentes visíveis. Porém, hoje são os riscos invisíveis que mais desafiam as organizações: sofrimento psíquico, esgotamento emocional e relações de trabalho adoecidas.

A Portaria nº 1.419/2024, que torna obrigatório o monitoramento dos riscos psicossociais, teve sua vigência adiada para maio de 2026. Isso levou muitas empresas a acreditar que o tema poderia esperar. É um engano. A obrigação de identificar, avaliar e controlar esses riscos já está prevista na NR 1 e continua plenamente válida. O relógio jurídico e ético já está correndo.

É exatamente nesse contexto que o RH precisa assumir o protagonismo. Riscos psicossociais não se resolvem com um formulário novo, mas com mudança de cultura. O RH é o elo entre direção, lideranças e trabalhadores, e é quem consegue traduzir a linguagem da norma em políticas, processos e práticas do dia a dia.

Sobrecarga, metas inalcançáveis, assédio, insegurança psicológica e falta de reconhecimento não são “problemas comportamentais” isolados; são riscos ocupacionais que impactam saúde mental, produtividade, rotatividade, marca empregadora e a reputação perante o Judiciário. Ignorar esses sinais é abrir espaço para afastamentos, conflitos e passivos trabalhistas.

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O período até 2026 deveria ser visto como um laboratório estratégico, não como uma sala de espera. O RH pode liderar um plano de transição que envolva sensibilizar lideranças e equipes, incluir critérios psicossociais nas avaliações de riscos já existentes, integrar ações de saúde mental ao PGR e fortalecer canais de escuta ativa.

Ao fazer isso, o RH deixa de atuar apenas como gestor de rotinas e passa a ser construtor de ambientes saudáveis no trabalho. Usar dados de clima, absenteísmo e turnover como insumos de gestão de risco, e não apenas como indicadores internos. Aproximar áreas como Segurança do Trabalho, Jurídico e alta gestão em torno de uma agenda única: proteger pessoas para sustentar resultados.

As empresas que encararem os riscos psicossociais apenas como mais uma exigência normativa tendem a responder de forma mínima e reativa. Já aquelas que autorizarem o RH a liderar essa agenda vão ganhar em segurança jurídica, engajamento e competitividade.

A mudança já começou. O direito ao trabalho inclui o direito de não adoecer por causa do trabalho. Cabe ao RH ocupar seu lugar à mesa de decisão e conduzir essa transformação com planejamento, empatia e responsabilidade, para que a gestão dos riscos psicossociais seja parte do projeto de futuro da organização, e não apenas uma obrigação no papel.

*Maria Alaíde Bruno Teixeira é doutoranda em Direito, especialista em Gestão de Negócios, psicóloga, advogada e assistente social. Atua há mais de vinte anos em recursos humanos no varejo, à frente de projetos de gestão de pessoas, cultura organizacional, saúde mental e riscos psicossociais no trabalho. Instagram: @draalaidebruno