ÁGUA BOA (MT) – Um laudo técnico da Justiça, divulgado neste fim de semana, traz uma reviravolta em uma disputa por terra no interior de Mato Grosso. A perícia concluiu que os documentos usados por uma empresa de cobrança para tentar tomar posse de uma propriedade rural não batem com a área ocupada há anos por um produtor da região.
De um lado da briga está a empresa N.D.L. Recuperação de Crédito e Securitização EIRELI. Do outro, um trabalhador do campo identificado pelas iniciais R.S.F. Trata-se de uma pessoa física, um produtor rural que vive na propriedade desde 2006 e diz que sua família já estava ali desde os anos 1980.
A empresa entrou na Justiça pedindo a posse da área. No entanto, segundo a defesa de R.S.F., os documentos apresentados por ela têm erros graves. As matrículas dos imóveis foram modificadas ao longo do tempo, incluindo nomes de rios e estradas, como a BR-158, que não apareciam nas versões antigas dos registros. Além disso, algumas das escrituras usadas pela empresa dizem respeito, na verdade, a lotes urbanos em Nova Xavantina (MT), ou seja, terrenos na cidade, e não na zona rural onde está a terra disputada.
Esses argumentos foram analisados por um perito judicial, que confirmou o que a defesa vinha alegando: os imóveis citados nos documentos da N.D.L. ficam a quilômetros de distância da área onde vive o produtor R.S.F. O laudo deixa claro que se tratam de propriedades totalmente diferentes.
Diante desse resultado, a defesa afirma que a ação da empresa é infundada, já que ela nunca teve posse da terra nem apresentou documentos compatíveis com a área rural onde vive o produtor.
Segundo o advogado que representa R.S.F., o processo tem causado grandes prejuízos à família. Desde 2019, eles enfrentam dificuldades para arrendar, vender ou regularizar a propriedade, além de não conseguirem acesso a crédito bancário por causa da pendência judicial.
Além do caso civil, existe um processo criminal em andamento que investiga a morte de um advogado e sócio da empresa N.D.L., ocorrido em Rio Verde (GO). A defesa de R.S.F. confirma que ele — o produtor rural, identificado apenas pelas iniciais, é um dos acusados nesse caso e que segue preso preventivamente, apresentando sua versão à Justiça. O advogado, no entanto, destaca que não representa o acusado nesse processo criminal.