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Mato Grosso avança na eliminação do sarampo
Após décadas de luta, estado alcança zero incidência da doença, contribuindo para a recertificação do Brasil como país livre de sarampo
07/06/2024 19h24
Por: Redação Fonte: Redação Âncora Notícias
Criança sendo vacinada contra o sarampo em posto de saúde de Cuiabá, Mato Grosso.

Mato Grosso está caminhando rumo à eliminação dos casos de sarampo. Desde 1999, o número de casos da doença vem diminuindo, passando de sete registros naquele ano para apenas um caso em 2020. Desde então, o estado não registrou mais incidências da doença, contribuindo significativamente para o sucesso na redução e controle do sarampo em todo o território nacional.

O Brasil celebrou, na quarta-feira (5), dois anos sem casos autóctones (com transmissão em território nacional) de sarampo. Dessa forma, está próximo de retomar a certificação de ‘país livre de sarampo’, após sair da condição de região endêmica no ano passado. Em 2016, o Brasil já havia recebido o título de país livre da doença. Em 2018, no entanto, o intenso fluxo migratório de países vizinhos, associado às baixas coberturas vacinais em vários municípios, permitiu a reintrodução do vírus em território nacional. Desde 2019, o número de casos de sarampo está em queda: despencando de 20.901 registros, no referido ano, a 41 casos, em 2022. O último caso foi confirmado em 5 junho de 2022, no Amapá.

No início de maio, o país recebeu a visita da Comissão Regional de Monitoramento e Reverificação da Eliminação do Sarampo, Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita na Região das Américas e do Secretariado da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) com o objetivo de dar continuidade ao processo de recertificação do Brasil como livre da circulação de sarampo e com sustentabilidade da eliminação da rubéola e da síndrome da rubéola congênita (SRC).

Desafios globais e a importância da vacinação

Ainda neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o aumento de casos da doença na Europa como “alarmante”. Foram mais de 58 mil infecções pelo vírus em 41 países ao longo de 2023, um aumento em relação aos últimos três anos.

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“Para que o Brasil possa continuar sem casos, é fundamental alcançar coberturas vacinais de, no mínimo, 95% de forma homogênea, visando a proteção da nossa população diante da possibilidade de ocorrência de casos importados do vírus e reduzindo assim o risco de introdução da doença. Além do que, garante a segurança até mesmo das pessoas que não podem se vacinar”, explica o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti.

Ele destaca, ainda, a importância da continuidade da estratégia de microplanejamento que, em 2023, repassou R$151 milhões para estados e municípios. O método, que é recomendado pela OMS, consiste em diversas atividades com foco na realidade local e em fortalecer e ampliar o acesso da população à vacinação, durante todo o ano.

Tríplice viral: uma ferramenta vital

A tríplice viral é uma das vacinas ofertadas no Calendário Nacional de Vacinação, cujo esquema vacinal corresponde a duas doses para pessoas de 12 meses até 29 anos de idade, e uma dose para adultos de 30 a 59 anos. Esse imunizante protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – três doenças altamente infecciosas que podem causar sequelas graves e foram responsáveis por epidemias no passado. A cobertura da primeira dose dessa vacina aumentou de 80,7% em 2022 para 87% em 2023. Os dados de 2023 ainda são preliminares e podem subir, já que alguns estados têm bases próprias e as atualizações podem demorar a chegar à rede nacional.

O impacto da vacinação no Mato Grosso

A evolução dos números de vacinação em Mato Grosso é um reflexo do esforço contínuo das autoridades de saúde. A Secretaria de Saúde do Estado tem implementado campanhas de conscientização, além de facilitar o acesso às vacinas em áreas remotas e rurais. “Nosso objetivo é garantir que toda a população esteja protegida, independentemente de onde viva. A vacinação é um direito de todos e uma responsabilidade coletiva”, afirma a secretária de Saúde, Maria do Carmo Leite.

Campanhas de vacinação e conscientização

Em 2023, Mato Grosso intensificou suas campanhas de vacinação, promovendo ações em escolas, empresas e eventos comunitários. A iniciativa visou atingir não apenas crianças, mas também adultos que ainda não haviam completado seu esquema vacinal. Essas campanhas têm sido essenciais para aumentar a adesão à vacinação e educar a população sobre a importância da imunização.

As campanhas de vacinação são planejadas com base no microplanejamento, que permite identificar áreas com menores coberturas vacinais e direcionar esforços específicos para essas regiões. Essa estratégia tem se mostrado eficaz para aumentar as taxas de vacinação e garantir uma proteção homogênea em todo o estado.

Conscientização e educação para a saúde

A educação é um componente crucial nas campanhas de vacinação. Informar a população sobre os riscos das doenças e a segurança das vacinas é fundamental para combater a desinformação e aumentar a confiança nas imunizações. As autoridades de saúde de Mato Grosso têm trabalhado em parceria com escolas, universidades e organizações comunitárias para disseminar informações corretas e combater mitos relacionados às vacinas.

Além disso, campanhas em mídias sociais e tradicionais têm sido usadas para alcançar um público mais amplo. “A informação é nossa maior aliada na luta contra o sarampo e outras doenças evitáveis por vacina. É essencial que todos compreendam a importância da vacinação para a saúde individual e coletiva”, ressalta a secretária Maria do Carmo.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar dos avanços significativos, ainda existem desafios a serem enfrentados. A logística de distribuição de vacinas em áreas remotas, a necessidade de manutenção de altas coberturas vacinais e a luta contra a desinformação são alguns dos obstáculos que Mato Grosso e o Brasil como um todo precisam superar.

A colaboração entre governos, organizações internacionais e a sociedade civil é crucial para manter o sarampo sob controle e alcançar a recertificação como país livre da doença. A sustentabilidade das estratégias de vacinação e a continuidade das campanhas de conscientização são essenciais para garantir que o sarampo não volte a ser uma ameaça à saúde pública.

A importância da vigilância epidemiológica

A vigilância epidemiológica desempenha um papel vital no controle do sarampo. O monitoramento constante de casos suspeitos e confirmados permite uma resposta rápida e eficaz para evitar surtos. Em Mato Grosso, o fortalecimento das equipes de vigilância e a integração com sistemas de saúde locais têm sido prioridades para garantir a rápida identificação e controle de possíveis casos.

“Uma vigilância ativa e eficiente é essencial para mantermos o sarampo sob controle. Precisamos estar preparados para responder a qualquer sinal de reintrodução do vírus, garantindo a proteção da população”, destaca Eder Gatti.

O papel da comunidade na eliminação do sarampo

A participação da comunidade é um fator determinante no sucesso das campanhas de vacinação. A mobilização comunitária, o apoio de líderes locais e a participação ativa da população são essenciais para alcançar e manter altas coberturas vacinais. Em Mato Grosso, iniciativas comunitárias têm sido fundamentais para sensibilizar e engajar a população na luta contra o sarampo.

Grupos comunitários, organizações não-governamentais e líderes religiosos têm trabalhado em conjunto com as autoridades de saúde para promover a vacinação e disseminar informações corretas sobre as vacinas. Essas parcerias têm sido fundamentais para alcançar populações mais vulneráveis e garantir que todos tenham acesso à imunização.

Campanhas de vacinação

O avanço na eliminação do sarampo em Mato Grosso é um exemplo de sucesso que demonstra a importância das campanhas de vacinação, da vigilância epidemiológica e da participação comunitária. O esforço conjunto das autoridades de saúde, organizações internacionais e a sociedade civil tem sido essencial para alcançar e manter a eliminação do sarampo no estado e no país.

A recertificação do Brasil como país livre de sarampo será um marco importante na saúde pública, refletindo o compromisso contínuo com a imunização e a proteção da população. Com estratégias eficazes, educação e mobilização comunitária, é possível manter o sarampo sob controle e garantir um futuro mais saudável para todos.