

As Terras Indígenas Japuíra, Escondido e Erikpatsa, localizadas na região Noroeste de Mato Grosso, podem sofrer os impactos da construção da Usina Hidrelétrica Castanheira. Com capacidade de gerar menos de 100 MW de energia firme, a usina da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) pode afetar diretamente os Rikbaktsa, Apiaká, Kayabi, Munduruku e Tapayuna, indígenas isolados e outras populações rurais e urbanas dos municípios da região.
Além disso, o processo de licenciamento foi questionado pelas lideranças do povo Rikbaktsa. Em carta enviada à Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, as lideranças pedem o arquivamento do processo, alegando que o Estudo de Componente Indígena considerou a usina inviável por conta dos impactos negativos aos povos e territórios.
Segundo a carta, a construção da usina pode causar danos irreparáveis para a cultura tradicional dos povos. "O rio Arinos faz parte da nossa vida. O rio é fonte de vida, de alimento, coletamos ervas medicinais na beira do rio, tracajás, ovos de tracajás, sementes, castanhas e também dois caramujos que fazem parte do nosso ritual de casamento, o tutãra e waibubutsa. Sem o rio perderemos nossa cultura tradicional do casamento."
Além disso, o direito de consulta aos povos indígenas teria sido violado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que realizou duas reuniões em maio de 2022, durante a pandemia, para apresentação do Estudo de Componente Indígena (ECI) da UHE Castanheira. Conforme os povos Munduruku, Apiaká, Kayabi/Kawaiwete, Rikbaktsa e Tapayuna, não houve essa etapa do rito de licenciamento em curso.
O conflito agora está nas mãos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso, que precisa avaliar os impactos da construção da usina hidrelétrica no Rio Arinos e decidir pelo arquivamento ou continuidade do processo de licenciamento.





